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terça-feira, 24 de maio de 2016

Pablo Neruda e suas casas


PABLO NERUDA

* Post publicado no blog parceiro Mulheres Donas de Si.

Adoro poesia. Adoro Pablo Neruda. Adoro ler para me preparar para as viagens, como já comentei anteriormente.

Quando fui ao Chile pela primeira vez, decidi que não sairia de lá sem conhecer as três casas de Pablo Neruda: a La Chascona, que fica em Santiago (e eu descobri que até hoje não escrevi sobre essa casa no blog!), a La Sebastiana, em Valparaíso e, por fim, a mais esperada por mim, Isla Negra, na beira do Pacífico.


La Chascona - Santiago

A casa de Santiago, que fica no bairro Providéncia, começou a ser construída por Neruda em 1953 para que nela morasse Matilde Urrutia, seu amor secreto. Em homenagem a ela, batizou por ‘La Chascona’, como ele a chamava, em razão de sua abundante cabeleira.

Após o golpe militar de 1973, que derrubou o então Presidente Salvador Allende, Neruda faleceu. A casa sofreu diversos vandalismos, inclusive a obstrução de um curso de água natural, que fez com que toda ela fosse inundada. Mesmo assim, Neruda foi ali velado junto a poucos amigos. Matilde reconstruiu a casa e nela viveu até 1985.

Divulgação do saite http://www.fundacionneruda.org/es/galeria-chascona


Divulgação do saite http://www.fundacionneruda.org/es/galeria-chascona

La Sebastiana - Valparaíso

A casa de veraneio de Neruda e Matilde fica em Valparaíso, no alto do Cerro Florida, de onde se avista o Oceano Pacífico. Neruda amava Valparaíso e pediu a um amigo, em 1959, que ele encontrasse uma casa para ele. Mas não podia ser uma casa qualquer. Debía estar en un cerro, pero cerca del plan, con vista al mar y a la ciudad, lejos de todo, pero cerca de la movibilización, con vecino silenciosos, solitaria pero no en exceso, alada pero firme, original pero no incómoda, y sobre todo, económica.

A casa foi inaugurada em 18 de setembro de 1961, com uma festa memorável. La Sebastiana foi saqueada após o golpe militar de 1973, tendo sido restaurada em 1991. A visita ao museu é autoguiada e é proibido fotografar seu interior. Saiba mais aqui.



Isla Negra

Para mim, a mais linda de todas, a mais completa, a mais nerudiana, a mais… Faltam-me adjetivos para ela! Já estive duas vezes lá e irei de novo, certamente.

Neruda e La Chascona encontram-se enterrados ali, ao lado do mar. Neruda, além de político e escritor, era conhecido como um coisista, pois adorava colecionar tudo o que via pela frente e parte de suas coleções podem ser vistas em Isla Negra. A vida deles está lá, a energia desse lugar é incrível, tudo é maravilhoso! Leia mais aqui e aqui.




Quando estive pela primeira vez
defronte do oceano me enchi de assombro.
Ali entre dois grandes montes
(o Huique e o Maule) se desatava 
a fúria do grande mar.
Não eram somente as imensas ondas 
nevadas que se levantavam 
a muitos metros sobre nossas cabeças, 
mas um estrondo de coração colossal, 
a palpitação do universo.

(NERUDA, em Confieso que he vivido).


Para melhor se entender o mundo de Neruda e Matilde, indispensável a leitura de ‘Minha vida com Pablo Neruda”, escrito pela própria Matilde Urrutia (leia mais aqui). Igualmente indispensável a leitura das poesias de Neruda (saiba mais aqui). O filme “O Carteiro e o Poeta” retratam a vida deles no exílio, na Itália (leia aqui). Também recomendo.

Todas as casas são museus administrados pela Fundação Neruda. No valor do ingresso está incluído um audioguia (tem em português), que facilita em muito a visita. Na primeira vez que fui, eram guias quem explicava. Mais informações sobre preços, horários de visitação, você encontra aqui.

Você já conhece o mundo de Neruda? Conte para a gente.

Hasta la vista.


domingo, 1 de setembro de 2013

Isla Negra II, a missão! - Chile



Quando estive pela primeira vez
defronte do oceano me enchi de assombro.
Ali entre dois grandes montes
 (o Huique e o Maule) se desatava 
a fúria do grande mar.
Não eram somente as imensas ondas 
nevadas que se levantavam 
a muitos metros sobre nossas cabeças, 
mas um estrondo de coração colossal, 
a palpitação do universo.

(NERUDA, Pablo, em Confieso que he vivido).



Eu já escrevi sobre Isla Negra anteriormente (leia aqui). Mas voltar aqui me fez entrar no mundo de Neruda mais uma vez. Esse lugar é abençoado, com uma energia maravilhosa. Impossível não se inspirar e escrever muito...


Mas o mais legal foi ver a Valentina vencer a ansiedade de ver a coleção de conchas e prestar atenção em tudo. Atualmente a visita é feita com um audioguia, em português (aqueles aparelhinhos em que você digita o número indicado na peça e ouve sobre a história local), o que é muito bom, pois você faz a visita no seu tempo, sem ter um guia te chamando.


Ela passou de peça em peça, olhou tudo, ouviu tudo, perguntou muito. Ao final, quando perguntei do que ela mais havia gostado na casa, a resposta veio rápida: - A coleção de sapatos do Pablo Neruda. Confesso que me caiu os butiá do bolso, pois a tal coleção está guardada num pequeno closet no quarto dele, num cantinho! 



E depois ela me disse: - Mamãe, eu adorei esse lugar, pena que termina triste. E eu perguntei o porquê e ela me respondeu: - Ora, mãe, porque ela viveu 12 anos sem o Pablo Neruda, referindo-se à Matilde Urrutia, a La Chascona. E se ainda tinha algum butiá no bolso, caiu de vez...



E a coleção de conchas? Ela gostou, mas não foi o top, que eu achei que iria ser... Como a gente se engana com eles...

Volto nesse lugar toda vez que voltar ao Chile. Acho demais! Uma energia muito forte e contagiante. O mundo de Neruda é realmente maravilhoso!

Dever do poeta é cantar com seu povo e dar ao homem o que é do homem: sonho e amor, luz e noite, razão e desvario.

(NERUDA, Pablo, em Prólogo da Las piedras de Chile)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

La Sebastiana - Valparaíso

XCVIII Soneto de Amor

E esta palavra, este papel escrito
pelas mil mãos de uma só mão, 
não fica em ti, não serve para sonhos,
cai à terra: ali permanece.

Não importa que a luz ou a louvação
se derramem e saiam da taça
se foram um tenaz tremor do vinho
se tingiu tua boca de amaranto.

Não quer dizer mais a sílaba tardia,
o que traz e retraz o arrecife
de minhas lembranças, a irritada espuma,

não quer mais senão escrever teu nome.
E ainda que o cale meu sombrio amor
mais tarde o dirá a primavera.

(Pablo Neruda - 100 Sonetos de Amor)



Já escrevi sobre Isla Negra aqui, mas agora escrevo sobre outra casa de Pablo Neruda, a La Sebastiana. Esta casa fica em Valparaíso/CH, no alto do Cerro Florida, com uma bela vista para o Pacífico. 





Do jardim, tem-se a vista da baía de Valparaíso, porto no Oceano Pacífico.
A casa foi inaugurada em 18 de setembro de 1961, com uma festa memorável. A visita ao museu é autoguiada e é proibido fotografar seu interior.

Neruda amava Valparaíso e pediu a um amigo, em 1959, que ele encontrasse uma casa para ele. Mas não podia ser uma casa qualquer. Debía estar en un cerro, pero cerca del plan, con vista al mar y a la ciudad, lejos de todo, pero cerca de la movibilización, con vecino silenciosos, solitaria pero no en exceso, alada pero firme, original pero no incómoda, y sobre todo, económica.







 Conta-se que, certa vez, logo após a morte de Neruda, havia uma grande movimentação de pessoas no jardim que diziam que havia gente no interior da casa, pois de lá vinha certo barulho. Francisco Velasco, amigo de Neruda, entrou na casa, com cautela, para averiguar o que estava ocorrendo. Ao chegar ao living, encontrou uma águia enorme. Ele abriu a janela para ela sair. Entretanto, nunca se soube como entrou, pois tudo estava fechado. Disse ele: me vio inmediatamente a la memória aquella vez que Pablo confidencio que, si hubiera outra vida, lê hubiese gustado ser un águilla.

La Sebastiana foi saqueada após o golpe militar de 1973, tendo sido restaurada em 1991.





















segunda-feira, 30 de maio de 2011

Isla Negra - Chile






Imperdível é conhecer Isla Negra, a casa onde morou Neruda, na beira do Oceano Pacífico, litoral do Chile. Ele e La Chascona encontram-se enterrados ali, ao lado do mar. Neruda, além de político e escritor, era conhecido como um coisista, pois adorava colecionar o que via pela frente. Parte dessas coleções podem ser vistas em Isla Negra.