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domingo, 6 de fevereiro de 2022

A saga da escola para a Valen

 

Quando decidimos que viríamos todos para a Espanha, decidimos, também, que iríamos fazer de tudo para que a Valen pudesse estudar em uma escola secundária normal e pública daqui. O que não esperávamos é que o processo burocrático fosse tão... burocrático! 

Bem, em primeiro lugar, pedimos vaga num Instituto de Enseñanza Secundária - IES - que ficava dobrando a esquina de casa, pois iríamos ficar naquele bairro por, pelo menos, três meses. Formulário preenchido e entregue, era preciso aguardar um telefonema da escola. 

Dois ou três dias depois, deu toda a confusão do apartamento, como contei aqui e aqui. Como mudamos de bairro, a escola de referência também mudou. E o processo começou todo de novo.

Bem, no dia em que fomos no 'Ayuntamiento' (prefeitura) para fazer o 'empadronamiento' (registro de residência), a dona do nosso novo apartamento nos levou no Instituto em que a filha dela estuda, o IES Ramon Carande. E lá, conversando, começamos todo o processo de novo: preenche o formulário, aguarda o contato, etc.

No dia seguinte recebi uma ligação da Consejería de Educación solicitando a convalidação dos documentos da Valen para poder dar continuidade ao processo. A pessoa com quem falei me passou o endereço e no dia seguinte eu fui lá na Plaza España. Cheguei no lugar e a historia começou: precisa de 'cita previa' (agendamento), porque sem 'cita' ninguém entra, me disse o porteiro. Quando lhe expliquei a situação, ele me disse que não era ali e, sim, na outra porta, um cartório para fazer a convalidação dos documentos.

Fui na outra porta, falei com o porteiro, expliquei a situação. O que ele me respondeu? Não é aqui, é na outra porta, indicando que era o local onde eu estava antes. E mais: me disse que era para eu entrar, subir e que o porteiro não sabia de nada. E que se ele reclamasse era para eu dizer que eu queria fazer uma reclamação por escrito na tal da 'hoja de reclamación'.

Voltei. Claro que o porteiro se emputeceu. Tentei falar com o Jaime, porque ele tinha ficado com os telefones de contato da Carmen no celular dele. Óbvio, não consegui. E comecei a pensar em estratégias.

O segurança saiu para a rua para fumar e, já um pouco mais calmo, me explicou o que funcionava ali e o que eu precisava era, de fato, no outro lugar. Bem, lá fui eu de novo.

Nesse meio tempo, a Valen me disse que era só eu olhar as chamadas recebidas que eu teria acesso ao número de origem da ligação do dia anterior, algo que eu não havia me dado conta naquele momento, pois já estava furiosa. Feito. Consegui contato. A pessoa que me atendeu foi muito pacenciosa, explicou tudo de novo e me confirmou que era na segunda porta que eu tinha que ir. 

Enquanto eu falava ao telefone, o segurança da primeira porta foi até o segurança da segunda porta e bateu boca com ele. E voltou. Quando eu fui lá, o cara estava puto comigo, porque o outro tinha vindo ali brigar com ele. 

Bem, com toda a calma lhe disse que eu tinha mantido contato com o setor que tinha me mandado ali e que era ali que eu precisava apresentar os documentos para a tal da convalidação. Aí ele se acalmou e me deu toda a atenção do mundo, porque, claro, eu poderia usar a 'hoja de reclamación' contra ele, né?

Daí veio o próximo problema: precisava de que? de 'cita previa'. E, claro, eu não tinha. Ele me mostrou o QR code usado para acessar o link. Entrei no sistema ali mesmo para ver se conseguia uma data. Obviamente, não havia 'cita' disponível nem para aquele dia e nem para os próximos. 

Aí fui conversar com ele de novo. Mostrar para ele que não tinha data disponível e tal e chegou uma moça, pedindo desculpas e perguntando algo para ele e dizendo que faltava dois minutos e tal para o horário dela, e ele olhou para ela e disse: espera que eu estou atendendo esta senhora aqui e se virou para mim e seguiu falando comigo. A moça tentou entrar e ele não autorizou, ela tentou argumentar, ele impediu ela de entrar outra vez, tendo ela se afastado. Ele olhou para mim e disse: viste como ela é mal educada? E seguiu me explicando que o sistema atualiza todos os dias às 14h, que era para eu seguir tentando. Com a maior calma do mundo.

Bueno, saímos dali da Plaza España eu e a Valen meio sem rumo. Quando foi de tarde, consegui uma 'cita' para a segunda-feira. Isso era quinta. Vibrei!

Na segunda, no horário, fomos todos lá. Entrei para ser atendida e... não pude convalidar os documentos, porque eu tinha que levar eles em cópia e gravados em pdf, bem como tinha que pagar uma taxa e tal. Perguntei que documentos eu tinha que apresentar e a pessoa me disse que não sabia, que era na Consejería que eu ia saber que documentos eram. E que seu eu conseguisse fazer tudo dentro de uma hora, ele me atenderia naquele mesmo dia.

Saímos dali, estávamos todos, novamente sem rumo. Como na terça eu tive a reunião com meu orientador, o Jaime assumiu a bronca. Ele foi até na Cruz Vermelha, porque eu tinha uma informação que eles ajudavam os estrangeiros com estas questões. Que nada! Não podiam fazer nada nesse caso. Mas sugeriram que o Jaime fosse direto da Consejería de Educación. Ele tanto fuçou na internet que marcou uma cita com a pessoa da Consejería que havia me ligado. Lá ele descobriu os documentos que tinha que apresentar e mais: descobriu que teríamos que traduzir os documentos oficiais da escola para daí poder fazer a tal convalidação. 

Começamos a buscar tradutor oficial de documentos por aqui. Quando estávamos já sem saber, a dona do apartamento fez contato, para saber se a Valen já estava em aula, se estava gostando, etc. Comentei com ela a situação e ela me passou o contato de um escritório de tradução de Madri. Mandei e-mail na mesma hora.

No dia seguinte, bem cedinho, chegou a resposta. Mandei os documentos. Veio o orçamento: 100 euros. Mandei fazer. Isso já era sexta-feira, de novo. A Valen já tinha perdido duas semanas de aula, pois o segundo semestre deles aqui começou dia 10 de janeiro. Nesse meio tempo, me ligam  para me dizer que a vaga no primeiro IES estava garantida. Aí eu explico a situação, que havíamos trocado de endereço, que tínhamos solicitado vaga em outra escola e que aquele pedido não nos interessava mais. Disse que estávamos tratando com a Carmen, da Consejería, tendo a pessoa me dito que ia conversar com a Carmen, sua colega, para anular esse pedido e manter a tramitação para o IES Ramon Carande.

Na quinta, 27 de janeiro de 2021, decidi matricular a Valen em uma escola de intercâmbio de espanhol (Sevilla Habla), lá no centro histórico. Pensei: até que vai documento, traduz, volta, apresenta, convalida, ela vai ficar mais umas duas semanas sem fazer nada e essa situação, de ela ficar perambulando sem rumo pelas ruas, já estava me deixando agoniada.

Fomos na escola, contratei 3 semanas de intercâmbio, a começar no dia 31 de janeiro. Assim, pelo menos à tarde, ela teria um compromisso, iria conhecer gente, praticar espanhol, enfim, aproveitar o tempo. A ideia era inscrever ela no centro de idiomas da Universidade de Sevilha, que fica aqui do lado de casa, cuja prova de nivelamento será dia 17 de fevereiro. Pensei: ela dá um up no espanhol e depois faz um quadrimestre aqui na US e está tudo bem.

Qual a minha surpresa no dia seguinte? Recebi uma ligação do IES Ramon Carande para ir lá pegar a ficha de matrícula dela naquele mesmo dia. E ela poderia começar na terça, dia 1º de fevereiro. No horário marcado, estávamos eu e o Jaime lá. Conversamos com a professora, tiramos nossas dúvidas, ela nos explicou o funcionamento da escola e do curso, que será tema do próximo post. E no final me disse: ela pode começar na segunda, mesmo. Daí às 11h tu vens entregar os documentos (sim, porque a secretaria só funciona entre 11h e 13h!).

Bem, pensei: ela vai estudar o dia inteiro por três semanas: das 8h às 14h30min no IES e, depois, das 15h às 18h30 no Sevilla Habla. Em um lugar, vai conviver com pessoas da idade dela e nativas e, no outro, com estrangeiros do mundo todo. A questão é que ela leva quase uma hora andando de um lugar até o outro. Avisei o intercâmbio da nova situação e tudo certo.

E a semana começou nesse ritmo: ela indo para o IES de manhã, até às 14h30min. Depois ela vai até a US, onde eu estou, come algo, e segue para o intercâmbio. Puxado? Sim, mas ela está curtindo. E aproveitando bastante.

Ah, mas a saga ainda não terminou! De posse dos documentos traduzidos e daqueles indicados, o Jaime voltou ao local da convalidação. E lá foi dado início ao processo de convalidação, então. O que isso significa?  Eles vão analisar o currículo brasileiro e vão comparar com o espanhol e daí vão dizer em que nível ela está, se no ensino obrigatório ou no bachillerato. Esse resultado ainda não saiu, mas o que importa é que ela já está na escola! 

E, provavelmente, teremos que traduzir os documentos daqui para português na volta... Fazer o quê? A ver...







terça-feira, 25 de janeiro de 2022

O visto espanhol para estudantes e a pasta de documentos


 

Algumas pessoas me pediram informações sobre a pasta de documentos que preparei para vir para cá e por que ela é necessária. Bem, não é obrigatório ter uma pasta de documentos, mas eu prefiro ter tudo comigo e não precisar do que precisar de algo e não ter. Ainda mais que vínhamos para mais tempo e que tínhamos a dúvida sobre poder entrar na Espanha no dia 20 de dezembro ou apenas dia 27, conforme me informaram no Consulado de Porto Alegre. Sim, eu sou a chata da organização, confesso!


Sobre o visto:

Quando vamos solicitar a aplicação do visto no Consulado Geral da Espanha é preciso, em primeiríssimo lugar, comprovar o endereço, porque o Consulado de Porto Alegre somente atende a moradores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Moradores de outros estados devem buscar o seu consulado de referência aqui.

Depois, é preciso ler as informações que estão na página do consulado de referência, no caso de Porto Alegre (clique aqui), e apresentar os seguintes documentos: o formulário de solicitação de vistos, que deve ser impresso e preenchido à mão (em que constará a tua fecha (data) de chegada no país e a de saída, a carta de aceitação da universidade, uma foto 3x4cm, seguro saúde com cobertura mínima, comprovação de renda, cópias de extratos bancários e do último imposto de renda. E eu, por ser funcionária pública, precisava apresentar a autorização de afastamento publicada no DOE. Veja a lista completa dos documentos e a ordem de apresentação deles. Os documentos do Jaime e da Valen precisaram comprovar o vínculo comigo, além do formulário, da foto e do seguro. O Consulado orienta a não emitir as passagens antes da decisão do pedido de visto. E outro detalhe: o visto de estudante te autoriza a entrar no país 15 dias antes do início do curso, segundo informação oficial.

Documentos na mão, é preciso marcar a cita no saite, enviando um e-mail em um link próprio. Eles te enviam a data e o horário em que deverás ir pessoalmente no Consulado, exceto menores de idade, para apresentá-los. Depois disso, é preciso aguardar o envio do código de acesso e seguir acompanhando o andamento pelo link próprio. Enquanto não começou a tramitar, consta pendiente de tramitación na pesquisa. Quando está em tramitação, a resposta será en tramitación. E se já há uma decisão, aparecerá resuelto, a resposta mais esperada. Mesmo assim, ainda não saberás se ele foi concedido ou não, pois é preciso ir lá no Consulado, pessoalmente, para saberes. Para isso, não precisa marcar 'cita', basta ir. Eles apontam no sítio oficial um prazo de 30 dias, mas geralmente demora de 7 a 10 dias a decisão. 

No nosso caso, eu já havia obtido o visto antes, então estava tranquila quanto ao resultado desta segunda aplicação, que foi gratuita, tendo em vista que não havíamos podido embarcar em fevereiro de 2021, como estava planejado. Emiti as passagens mesmo antes do visto para garantir o preço, pois eles aumentavam cada vez mais. Mas nada é tão simples, né?

Nosso prazo estava justo para tudo. No dia em que fomos aplicar o visto, o sistema estava fora do ar e nós, em tese, não poderíamos aplicar. Eu paralisei na frente da atendente. E o Jaime tomou a frente e disse: mas já tivemos um visto deferido e tal... E ela disse: então eu posso ficar com a documentação de vocês, porque não é preciso pagar a taxa e daí eu não preciso do sistema agora. Essa situação já fazia uma semana e não havia prazo para a situação voltar ao normal.

Passados uns dias, fiz contato. O sistema havia voltado. Recebi o email com o link e o código de verificação. Passei a consultar duas vezes por dia, no mínimo. Até que saiu resuelto na segunda-feira antes do embarque. Na terça de manhã, quando o Consulado abriu, estávamos lá e voltamos com os vistos deferidos! Mas que sufoco, viu?

Quero deixar bem claro que essa foi a NOSSA experiência. Consulte sempre o link do Consulado para fazer o seu trâmite, pois ele está sempre atualizado. E o Consulado da Espanha no Rio de Janeiro é bastante ativo no Instagram. Vale a pena seguir.


A pasta de documentos

Bem, eu preparei uma central de documentos para apresentar na imigração, caso fosse necessário. Nela pus todos os documentos que apresentei no consulado, tanto os meus, como os do Jaime e os da Valen. Na ordem da pasta:


- Carta de aceitação pré-doctoral;

- Autorização de afastamento para estudos;

- Como esse período é uma construção, documentos que o comprovam, como deferimento de férias e de folgas de plantão;

- Convênio da Univates com a Universidade de Sevilha;

- Edital de Mobilidade Internacional da Univates;

- Resultado do julgamento do edital;

- Comunicação do deferimento da alteração da data, tendo em vista a pandemia;

- Histórico escolar do doutorado;

- Comprovante de matrícula;

- Plano de trabalho (apresentado para a Univates e para o MPRS);

- Certificado DELE B2, requisito básico do Edital, emitido pelo Instituto Cervantes, comprovando a fluência no idioma;

- Seguro-viagem para nós os três para todo o período;

- Comprovação de registro imobiliário;

- Certidão de união estável (tivemos que fazer a escritura pública no tabelionato e o registro no Ofício de Pessoas Naturais e, ainda, apostilar em Haia, requisitos exigidos pelo Consulado);

- Documentos do Jaime (contratos sociais, IRPF);

- IRPF meu;

- Extratos bancários;

- DECORE do Jaime e contra-cheques meus (dos últimos 4 meses);

- Comprovantes de endereços (meu e do Jaime);

- Certidão de Nascimento da Valen (emitida dentro de um ano da data da apresentação no Consulado, igualmente apostilada em Haia);

- Cópias dos nossos documentos (CNH, passaportes e vistos);

- Receitas dos medicamentos que usamos normalmente (uso contínuo e de uma farmacinha básica, pois trouxemos até antibióticos básicos);

- Certidão de antecedentes criminais (extraídas da internet);

- Currículum Lattes;

- Contrato com a Univates;

- Certificados de vacinas da covid-19;

- Carteira de vacinação da Valen;

- Passagens;

- Documentos de transferência escolar da Valen;

- Fotos 3x4 de todos.


Esses são os documentos que trouxe. Na imigração, nada foi pedido (eu estava com a pasta na mão). Mas ela já foi muito útil aqui, tanto para o empadronamento, como para a escola. E o documento mais solicitado é, sem sombra de dúvidas, o Certificado de Vacinação da Covid-19. Em todos os restaurantes, cafés, bar de tapas, etc. nos pediram o passaporte até agora. E pelo que li na imprensa local, essa regra vai seguir valendo ainda por um tempo, tendo em vista a alta de infecções pela variante ômicron (mesmo que os números venham caindo drasticamete dia a dia aqui na Andaluzia).

E nela estão sendo guardados, ainda, os documentos daqui: contrato de aluguel, recibos, carta de empadronamento, etc. É um peso para carregar? Sim, mas, como disse antes, prefiro ter tudo à mão e não precisar do que precisar e não ter.

E você, costuma a se organizar assim? Tinha ideia de que talvez fosse preciso tantos documentos? Já passou por alguma situação e não tinha os documentos junto? Conta pra gente.  

domingo, 23 de janeiro de 2022

A saga do apartamento continua!

 


Lembram que contei da saga para encontrar um apartamento aqui em Sevilha? Não viu? Volta no penúltimo post e lê ele antes de continuar aqui. 

Pois é... estávamos muito bem acomodados no apartamento do Airbnb até que... a proprietária disse que não aceitava a aquisição de mais dois meses para fechar o nosso tempo aqui. Tudo porque nós pedimos a ela para firmar um contrato privado a fim de que eu pudesse apresentar ao Ayuntamento de Sevilla (o equivalente à Prefeitura) para nos empadronar (ou seja, sermos considerados moradores da cidade e podermos usufruir de diversos benefícios para quem mora aqui). Não queríamos nada diferente do contrato do Airbnb - que não foi aceito pelo Ayuntamento - e ainda nos propusemos a fechar o prazo pela plataforma para dar total garantia a ela. Ela simplesmente enlouqueceu com o pedido e apresentou uma reclamação contra o Jaime, que havia feito a locação, no Airbnb. A plataforma entrou em contato com ele e ele, prontamente, disse que não queria mais ficar os três meses ali naquele endereço, afirmando que no dia 07 de fevereiro, dia em que fecharia um mês, nós o entregaríamos, alterando, assim, a reserva.

Eu estava na Universidade quando recebi a seguinte mensagem: estou te esperando para resolvermos uma situação. Ao mesmo tempo, recebi uma mensagem do Airbnb - até agora não sei o porquê, pois a reserva estava em nome dele -  afirmando que o prazo da locação havia mudado. Eu não fazia ideia do que tinha acontecido. Recolhi minhas coisas e comecei a voltar para casa. No caminho, enquanto percorria os 2,2km que separam a Universidade do apartamento, pensei em muitas coisas, mas foquei em agradecer o que havia acontecido, sem sequer ter ideia do que era. Mas agradeci muito e pedi que coisas boas viessem. 

Eu tinha me matriculado na academia, o Jaime tinha visto aulas de padel, tínhamos pedido a vaga na escola que ficava dobrando a esquina para a Valen...  Ou seja, estávamos de fato nos organizando e organizando uma rotina para todos. Tínhamos decidido esperar a resposta da escola para decidir o que fazer, pois fiquei sabendo que não é necessário o empadronamento para obter a vaga na escola (informação contrária a que tinha recebido antes). Então, se conseguíssemos a vaga, permaneceríamos ali; caso negativo, aí, sim, iríamos ver outro lugar antes de concluir os três meses, porque é muito difícil conseguir lugar para alugar que não seja por contrato de longa duração, ou seja, um ano.

Quando cheguei em casa, o Jaime me mostrou a troca de mensagens, me contou o que havia acontecido e disse: não sei o que tu pensas, mas disse que à atendente do Airbnb que sairíamos em 30 dias. Claro que eu concordei, porque não havia mais clima para ficarmos ali.

No mesmo dia, acionamos um corretor que havia prestado um bom trabalho na fase anterior e a OPAU, uma central de imóveis que tem aqui. Ou seja, voltamos à estaca zero.

No outro dia já começamos a visitar apartamentos outra vez. Pela OPAU, olhamos um bem interessante, todo reformado, perto da Universidade. Mas no sábado olhamos um que nos encantou, mesmo ficando mais longe da Universidade: passaria de 2,2km para 2,9km.

Claro que o apartamento era bem mais caro do que o que estávamos e ainda teríamos que pagar, além dos 800 euros, a luz e pedir a instalação de internet. A vantagem do Airbnb é que todos os custos estão incluídos no preço.

Quando da visita, comentei com a proprietária que eu precisava do contrato e da última fatura de água, luz ou gás para apresentar no Ayuntamento, para conseguir empadronar e isso era conditio sine qua non para que fechássemos o aluguel. Como a filha dela está empadronada aqui, ela precisava conferir se era possível que nós também assim estivéssemos. A resposta viria somente na segunda-feira. A torcida era grande!

Saímos a caminhar pela cidade, passando pelos bairros de Remédios e Triana, onde almoçamos. Depois fomos para o Torre Sevilha, um shopping aberto que tem aqui, muito legal.

Na segunda, veio a resposta. Era possível e para garantir o aluguel, precisávamos fechar o contrato até 30 de junho, mesmo saindo no dia 10. E naquela mesma noite tínhamos que pagar a fiança, no valor de um aluguel. Obviamente, decidimos por ele (a diferença entre o da OPAU e ele era de 50 euros mensais, mas não havia comparação entre eles!), que nos acomodaria de uma forma bem confortável.

A maior surpresa veio quando a proprietária disse que iria conosco, no dia seguinte, ao Ayuntamento, para nos empadronar. Conseguimos marcar a 'cita' para a terça-feira de manhã e lá nos encontramos. Ela nos apresentou como amigos dela e disse que estaríamos na casa dela durante um tempo e que ela autorizava o nosso empadromento aqui. Como era para escolarização da Valen, o empadronamento era mais rápido, sairia em até 3 dias úteis. E saiu na sexta-feira (21/01/2022).

Saímos dali e ela nos levou na escola onde a filha dela estuda. E lá preenchemos outra ficha pedindo a vaga para a Valen cursar o primeiro ano do Bachilerado em Ciências Sociais e Humanidades. A situação mudou um pouco quando ela, a proprietária, disse à pessoa que estava na secretaria da escola que a Valen estava fora da escola e que isso era proibido. Ele anotou na ficha que preenchemos, juntou a minha carta de aceitação da universidade e o protocolo do Ayuntamiento e enviou para a Secretaria de Educação. Menos de duas horas depois, me ligaram de lá, com as instruções: convalidar os documentos escolares da Valen e levá-los na secretaria da escola.

Na quarta, fui até o local informado, mas precisava de 'cita' (agendamento) para poder convalidar os documentos. Depois de muito vai e vem e uma ligação telefônica para o setor educacional, descobri onde exatamente eu tinha que ir e o que efetivamente eu tinha que fazer, Mas não consegui marcar a cita para o dia seguinte.

Depois disso, viemos assinar o contrato do apartamento e pegar as chaves, mas ainda não viemos ficar aqui. A proprietária comprou roupas de cama para nós, pois não temos nada. Já tínhamos até visto o preço para comprar, mas ela se antecipou, comprou e deixou aqui. 

Na quinta-feira decidimos fazer a mudança. Duas viagens de Cabify e as nossas coisas estavam aqui, no novo endereço. Antes estávamos em La Rosaleda, agora estamos em Heliópolis, bairros opostos na geografia da cidade. Estamos num apartamento completo, enquanto lá no outro não tínhamos nem forno elétrico, nem microondas e ainda não podíamos ligar dois aquecedores elétricos - que compramos - juntos, pois caía a chave. Aqui temos ar condicionado quente e frio em todas as peças, além de cozinha completa. Lá tínhamos um pequeno pátio, aqui temo um jardim enorme, pois estamos em um condomínio.



Nesse mesmo dia, fomos atrás de internet. Andamos um pouco, até que conseguimos. Compramos itens que estavam faltando, como toalhas de banho, de rosto, secador de cabelo, etc. A vantagem que tem muita loja de chineses, para todos os lados, com TUDO, simplesmente TUDO o que precisamos para uma casa. E, claro, tem uma a pouco mais de uma quadra daqui.

O apartamento está reformado e fica no terceiro piso. É um condomínio, inclusive com pátio interno. Tem uma vista linda do por-do-sol. É bem iluminado e tem duas sacadas. De fato, um excelente lugar, muito superior ao anterior.






Hoje o Jaime entrou em contato com o Airbnb e solicitou o cancelamento da reserva. Para tanto, era preciso alterar os prazos da reserva. Caso a proprietária aceitasse, o dinheiro seria/será parcialmente devolvido, descontados os dias em que lá ficamos. Claro que ela concordou na hora. Ela estava com medo de que ficaríamos eternamente no apartamento, porque pedimos para fazer o contrato privado... E ainda reclamou quando o Jaime solicitou a ela que abrisse a caixa do correio para poder pegar uma correspondência a ele endereçada... 

Enfim, hoje devolvemos o outro apartamento, tal e qual nós o recebemos. Agora é só esperar para ver se o dinheiro vai ser mesmo devolvido. Foi a primeira vez que tivemos problemas com anfitriões. Mas depois da reclamação que ela fez, não tínhamos mais como permanecer lá... acabamos deixando de gostar do apartamento e querendo sair de lá o mais rápido possível.

Como sempre acreditamos que o universo é perfeito, encontramos um lugar melhor, mais confortável e ainda com pessoas que nos ajudaram a resolver parte das questões burocráticas aqui. Estamos, agora, numa região mais nova, numa rua ampla, bem iluminada e ao lado do campus das ciências exatas da Universidade.

Vou ter que procurar outra academia aqui pela região ou ir de ônibus para a Atlas. Mas isso é apenas um detalhe. O que importa é que agora temos um contrato de aluguel até junho e uma casa para chamar de nossa! Já estamos empadronados e semana que vem a Valen deve começar na escola IES Ramón Carande.

Seguimos na torcida.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Uma casa para chamar de nossa?

 



A saga do apartamento, parece, terminou hoje. Chegamos em Sevilha no dia 29 de dezembro, com um apartamento alugado pelo Airbnb para os primeiros dias (até o dia 07 de janeiro de 2022). Por ser final de ano, tudo estava mais caro, claro! Além disso, a oferta também não era muita. Elegemos um apartamento bem legal, na Calle Siete Revueltas, no Casco Histórico da cidade. Pequeno, sem qualquer luz solar, mas bem completo. Quando fiz a reserva, logo lembrei que dia 06 era feriado e tal e imaginei que teríamos tempo suficiente para encontrar outro apartamento para todo o período. A saga começou no dia seguinte, buscando imobiliárias por Sevilha e apartamentos no saite Idealista. Era 30 de dezembro e elas estavam funcionando (as que estavam abertas) em ritmo de plantão.




Estivemos em quatro imobiliárias naquele dia. Algumas nos prometeram contato, em outras não conseguimos nada, porque só alugam para 'larga temporada', ou seja, um ano ou mais. Caminhamos vários quilômetros e voltamos para casa sem uma definição. Falamos com o proprietário do 'nosso' apartamento, que nos ofereceu, por 1.000 euros mensais, um apartamento em Triana. Mandou o link. Gostamos e pedimos para ir ver. 

Na segunda-feira, voltamos a buscar imobiliárias. Encontramos a OPAU, que presta um serviço diferente: pagamos 300 euros para eles encontrarem um apartamento para nós entre os 25mil imóveis catalogados que eles possuem. Olhamos o primeiro na segunda mesmo. Inqualificável era elogio! A vantagem dele era a localização, praticamente ao lado da universidade. Mas descartamos na hora, pois não tinha nem como cozinhar... Liguei para o número de atendimento ao cliente, comuniquei e ficamos esperando novo contato, que só veio hoje, quarta-feira, informando novo apartamento, que só poderá ser visitado na sexta, nosso último dia aqui em Sete Revueltas...

Independentemente da OPAU, buscamos outros imóveis no saite Idealista. Fizemos diversos contatos e buscamos outras imobiliárias. Ontem estivemos em seis (!) e todas fechadas! Mesmo assim, a partir dos contatos feitos previamente, olhamos dois apartamentos no final da tarde. O primeiro era bom, pequeno, mas bom. O problema era, além da distância da universidade (mas tinha ônibus ao lado com linha direta), a ausência de internet... O proprietário exigiu mais documentos do que os apresentados para o visto, mesmo nós tendo dito que íamos pagar 'en efectivo y en adelantado'.  Tudo bem, afinal de contas as regras são as dele. O segundo apartamento, ali pertinho, era muito, mas muito bom e nos acomodaria muito bem. O problema era o mesmo: não havia internet. Enquanto o proprietário do primeiro se dispôs a contratar internet e nós pagarmos a fatura, a dona deste não fez esse movimento e ainda disse que tinha uma proposta para contrato de um ano. Ou seja, não havia interesse dela em alugar para nós.

Isso, aliás, foi um dos grandes problemas: os proprietários querem alugar para contratos anuais, que depois de renovam automaticamente por até 5 anos. Nós precisamos de algo para apenas 5 meses. E mais: se alugamos um apartamento, vamos dizer, 'normal', precisamos pedir a ligação de luz e de internet. Para isso, precisamos de conta em banco espanhol. Para abri-la, precisamos do NIE, o documento de identificação de estrangeiro, que demora uns 30 dias para ficar pronto. Ou seja, inviável!

Além disso, precisaríamos comprar roupas de cama e de banho, bem como coisas de cozinha, para depois deixar aqui ou enviar, de alguma forma, para o Brasil (ou pagar excesso de bagagem). Por outro lado, o preço. Numa localização ruim, não baixa de 600 euros. Numa localização mediana, são cerca de 800 euros. Numa localização melhor, sempre levando em conta a universidade, não baixa de 1000 euros, o que, para nós, é absurdamente caro, se considerarmos, em conta redonda, o euro a R$ 7,00! 



Hoje, então, foi o dia de irmos a Triana, ver o apartamento que o proprietário do que estamos hoje nos ofereceu, por 1.000 euros por mês. No início, desconsideramos essa proposta, mas com o passar dos dias, vimos que deveria ser considerada. O apartamento, cujo link ele mesmo nos mandou, era muito bom e acomodava 5 pessoas. Pois bem, chegamos lá hoje e... o apartamento era menor do que o que estamos agora,.. acomoda bem duas pessoas... Ou seja, inviável... Em contato com ele, me disse que enviou o link errado, que era o outro, o que de fato vimos, que era possível de locar pelo valor de 1.000 euros, mas que não nos servia... Saímos dali desnorteados e já de saco cheio da situação.

Sentamos num restaurante/bar, pedimos uma 'caña' (chopp) e entramos no airbnb para ver alguma opção. Na primeira busca, encontramos um apartamento que parece bom, bem avaliado, perto da estação de trem. Fechamos por três meses. Se for bom, depois reservo até o fim. Se não gostarmos, depois trocamos (até porque tem a possibilidade de irmos a Valência e a Burgos, também, o que só vou ficar sabendo depois que começar na universidade). Ou seja, parece que o universo é sempre perfeito.

Depois de confirmada a reserva, avisamos ao corretor de ontem, à proprietária do apartamento de hoje (aquele que só poderá ser visitado na sexta) e ao proprietário do nosso - que chegou a fazer uma proposta de 1000 euros neste em que estamos até 30 de março - que já havíamos conseguido um lugar para chamar de nosso pelos próximos dois meses. Ah, e no valor do aluguel estão todos os custos e, inclusive, internet, o que facilita muito a nossa vida. 



Nestes dias, caminhamos muito, mas muito mesmo. Exploramos Sevilha a pé, atravessando-a de ponta a ponta. Visitamos um sem número de imobiliárias, fizemos mil contatos. As dificuldades foram várias: sermos brasileiros, estarmos por pouco tempo aqui, o período do ano que viemos, enfim... Imaginávamos que conseguiríamos um apartamento bem legal para alugar, que não fosse turístico, para vivermos o mais local possível. Doce ilusão! Acabamos num airbnb, outra vez. Amanhã, Dia de Reis, é feriado aqui e vamos andar até o apartamento para conhecer a região e de lá vermos o trajeto até a universidade. E na sexta, faremos nossa mudança!


Até mais!