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domingo, 1 de abril de 2012

Cena Tango Show


Sempre que alguém vai a Buenos Aires me pergunta indicação sobre as casas de tango, as conhecidas casas de Cena Tango Show (Jantar Tango Show). E eu respondo: eu não indico nenhuma. 

Quando estive em Buenos Aires pela primeira vez, isso há mais de 15 anos, eu fui em uma, chamada Tango Mio, a atual Sr. Tango. E não gostei. Explico.

Gosto da toda e qualquer manifestação folclórica que emane do povo, direta e naturalmente. Não gosto de espetáculo ensaiado, 'pra turista ver'. E essas casas de tango são exatamente isso: tango acrobático para turista ver e achar legal (eles chamam de 'tango escenário'). Não é algo natural, embora seja o grande ritmo argentino (que tanto amo!).

Naquela oportunidade, estive numa casa dessas. Mas no dia seguinte, sob uma figueira na Recoleta, eu vi o tango brotando do povo argentino. Uma caixa de som, um violão, um bandoneon e 'una pareja' bailando tango. E eles pegavam pessoas comuns, do povo, que ali estavam apenas assistindo, para dançar e para cantar com eles. Lembro-me de uma moça (cerca de 20 anos à época, talvez até menos) interpretando Volver. Aquela cena jamais saiu da minha cabeça.

Em outra oportunidade, em Mendoza, fui à final regional do Concurso Internacional de Tangos. Antes de o concurso propriamente dito começar, tangos e milongas saiam das caixas de som do teatro. E o povo todo dançando o melhor e mais bonito tango que já vi, como se fosse, no caso do RS, um fandango, em que toca um vaneirão ou um chamamé e os pares invadem o salão para dançar. Sem ensaio, sem estar se apresentando para alguém ver, mas pelo puro prazer de dançar.

Então, eu não recomendo nenhuma casa de tango em Buenos Aires. Acho exorbitantes os preços cobrados, mesmo que esteja incluso o transfer in/out (geralmente os restaurantes são no Bairro La Boca ou San Telmo, que são complicados à noite para se ir sozinho), mais o jantar (geralmente de qualidade simplória, ainda que a carne servida seja melhor que a daqui), com vinho (também de qualidade comum, embora seja vinho argentino) e, não raras vezes, uma taça de espumante para o brinde. Ainda, inclui o 'postre' (sobremesa) e o show de acrobacia, desculpem leitores, de tango, caso assim prefiram. Na minha concepção, apenas um lugar para turista ir.

Aqui no blogue já pus outras sugestões que eu considero bem mais interessantes. Mas se você é daqueles que gosta deste tipo de experiência em viagem, vá sem pestanejar. Agora, saiba que é tudo ensaiado para você gostar, achar lindo e aplaudir. 

De outra banda, tango na rua você pode encontrar na Recoleta, em San Telmo, na Calle Caminito, em boas milonguerías e tanguerías frequentadas pelos portenhos. Informe-se na portaria do seu hotel, perguntando: se você fosse dançar tango hoje, onde você iria? Pela minha experiência, você não vai se arrepender!

¡Qué pases muy lindo!



sábado, 22 de outubro de 2011

Corrientes, 348



A media luz

Edgardo Donato




Corrientes tres cuatro ocho,
segundo piso, ascensor;
no hay porteros ni vecinos
adentro, cocktel y amor.
Pisito que puso Maple,
piano, estera y velador...
un telefon que contesta,
una fonola que llora
viejos tangos de mi flor,
y un gato de porcelana
pa que no maulle al amor.
Y todo a media luz,
que es un brujo el amor,
a media luz los besos,
a media luz los dos...
Y todo a media luz,
crepusculo interior,
que suave terciopelo
la media luz de amor.
Juncal doce veinticuatro,
telefonea sin temor;
de tarde, te con masitas,
de noche, tango y amor;
los domingos, te danzante,
los lunes, desolacion.
Hay de todo en la casita:
almohadones y divanes
como en botica... coco,
alfombras que no hacen ruido
y mesa puesta al amor...

* Conta-se que este tango foi composto em 1925, durante uma festa da família Wilson, em Montevideo.

domingo, 18 de setembro de 2011

Clases de Tango en Bariloche/AR



Adoro tango. Na verdade, adoro dança. Ainda mais quando se trata de dança folclórica. Talvez por fazer parte da cultura e da história de um povo, talvez por ter sido criada em contato com as danças tradicionais gaúchas. Mas o tango exerce sobre mim um certo fascínio que não sei explicar. Um dia ainda vou fazer um curso completo de tango. Mas isso é plano para o futuro. 

Quando estive em Bariloche, descobri, meio por acaso, El Rincón del Tango. Um clube de tangos e milongas, com aulas diárias. Após o horário da aula, fica rolando tangos e milongas para quem quiser treinar. Fizemos duas aulas, somente. Não saí do 'quadrado'. Mas valeu.




Ana Maria, a professora do Jaime.